Irashaimasse... Este espaço é "irmão" da comunidade do orkut Movimento Dekassegui no Japão. Chamei-a assim porque há muitos dekasseguis (pessoas que saem de sua terra natal para trabalhar temporariamente em outro lugar) e eu faço parte desta comunidade de filhos e netos de japoneses que migraram para o Brasil. Domo arigato gozaimasu.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Quais alimentos foram trazidos ao Brasil pelos japoneses?

Encontrei agora este link no Abril no Centenário da Imigração Japonesa comentando quais alimentos foram trazidos ao Brasil pelos japoneses. A matéria é da revista Superinteressante, de 1/12/2007, de autoria de Natália Suzuki e Patrícia Stavis.
Em Curitiba há uma história sobre isto, de que os imigrantes, que chegaram na região só a partir da década de 1930, já como proprietários de terras na região de Morretes porque as companhias de imigração não eram bem-vindas no Paraná, foram responsáveis pelo ingresso de várias hortaliças na dieta do curitibano. Eles e os italianos, radicados na longínqua região de Santa Felicidade, levavam de carroças as verduras para serem vendidas no Largo da Ordem, centro histórico da cidade. Não é à toa que gosto daquela região!
Sobre as uvas, sempre achei que eram trazidas pelos italianos, levadas para a região de Jundiaí pelo Cereser. Vivendo e aprendendo. Mas como os italianos trouxeram a uva para vinho e a uva itália é uva de mesa, para comer, tem certo fundamento!


alimentos

Ovos, maçã Fuji, uva-itália, morango, pimenta-do-reino e poncã: fotocortesia dos japoneses.

Pensou em um festival de sushis e sashimis? Pense maior. No total, os japoneses trouxeram mais de 50 tipos de alimentos ao Brasil. Os primeiros provavelmente foram as variedades de caqui doce e a tangerina poncã, que chegaram nos anos 20. Mas foi a partir da década de 1930 que a maioria dos novos gêneros aportou por aqui. O cenário era favorável aos agricultores japoneses: comprando ou arrendando lotes de terras das fazendas cafeeiras falidas após a crise da Bolsa de Nova York, os pequenos proprietários dedicaram-se a uma variedade de culturas que não eram populares no Brasil. Muitos imigrantes traziam mudas junto com suas bagagens nos navios. Foi o caso do morango e até mesmo de um tipo de fruta insuspeita: a uva-itália, que apesar de ser italiana, como o nome entrega, pintou no Brasil por mãos japonesas, na década de 1940.

A coisa era mais fácil quando vinha por meios oficiais, via acordos de cooperação entre os dois países. De tempos em tempos, o governo nipônico liberava sementes para cultivo no Brasil, como as da maçã Fuji, em 1971. Junto com as comidas “inéditas”, os japoneses trouxeram técnicas para ampliar a escala de produção de gêneros alimentícios já presentes no país, mas ainda restritos ao esquema de fundo de quintal, como o alface, o tomate, o chá preto, a batata e o emblemático exemplo da produção de frangos e ovos. A avicultura brasileira apenas ensaiava um vôo de galinha até a década de 1930. A atividade só decolou de vez com a importação de aves-matrizes do Japão e com a experiência dos imigrantes japoneses nas granjas.

Consultoria: Célia Sakurai, pesquisadora do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil.