Irashaimasse... Este espaço é "irmão" da comunidade Movimento Dekassegui no Japão. Chamei-a assim porque há muitos dekasseguis (pessoas que saem de sua terra natal para trabalhar temporariamente em outro lugar) e eu faço parte desta comunidade de filhos e netos de japoneses que migraram para o Brasil. Domo arigato gozaimasu. zanguio.com.br

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Qual o futuro dos seus filhos?
O que você precisa saber para garantir um futuro melhor para seus filhos da pré-escola à universidade

Qual o futuro dos filhos dos dekasseguis? Qualquer resposta que se dê em relação aos próximos passos dos jovens passa pela educação e a família. Vai depender sobretudo da qualidade de ensino que os pais conseguirem garantir. Quem não pensar e planejar a educação dos filhos dificilmente vai vislumbrar um futuro promissor. A educação tem sido o assunto mais discutido entre os especialistas e os governos brasileiro e japonês nos últimos anos. É a área que mais conseguiu avanços, mas a que ainda tem inúmeros desafios pela frente. Cada família tem seus próprios dilemas e busca a sua maneira garantir as melhores alternativas para que o jovem consiga ser feliz. O Jornal Tudo Bem conversou com especialistas de ensino no Brasil e Japão e represen-tantes dos governos dos países para responder a dez perguntas de pais.
1 - É melhor escola brasileira ou japonesa?Essa é a pergunta básica e atormenta a maioria dos pais. Afinal, quem matricula os filhos em uma escola japonesa teme que o filho vire “japonês”. Quem estuda em uma escola brasileira reclama dos valores das mensalidades e ainda não sabe se o filho vai conseguir acompanhar os estudos quando voltar ao Brasil. A resposta que a maioria dos especialistas aconselha é:
[-] Os pais que definiram a volta ao Brasil em dois ou três anos, melhor matricular a criança em escola brasileira.
70 Escolas brasileiras37 Escolas reconhecidas pelo MEC17 Escolas reconhecidas pelo governo japonês
[-] Se não sabe quando retorna, melhor matricular em escola japonesa porque os pais não podem garantir que, quando o filho ficar adulto, vai querer morar no Brasil. O jovem vai ter melhor aceitação pelos japoneses se dominar o idioma quando enfrentar o mercado de trabalho.
2 - Se meu filho estudar em escola japonesa vai “virar japonês”?A escola é um dos principais formadores do caráter de um indivíduo. A história dos próprios filhos dos dekasseguis mostra que as crianças que são matriculadas desde pequenas em escolas japonesas aprendem o idioma rápido e incorporam o jeito japonês de pensar. É um processo inevitável. Afinal, só assim vai se adaptar à sociedade japonesa. Os principais conflitos com os pais acabam ocorrendo na adolescência, quando os filhos chegam a negar a nacionalidade brasileira. É um processo semelhante ao que ocorreu com os nisseis no Brasil. Para se adaptar aos costumes locais, negaram os costumes japoneses.
Os pais, cujos filhos estudam em escolas japonesas, têm obrigação de ensinar o português. O diálogo em casa é importante para manter a identidade do filho.
3 - A escola brasileira no Japão é boa?A existência de 37 escolas reconhecidas pelo MEC e 17 pelo governo japonês são demonstrações da evolução do ensino para os brasileiros. O reconhecimento dos dois governos cria perspectivas de futuro aos jovens. Afinal, mesmo estudando em uma escola brasileira, o jovem pode continuar os estudos caso regresse ao Brasil ou entre em uma universidade japonesa. Mas ainda existem dois desafios enormes e mais básicos: melhorar a qualidade de ensino e reduzir o preço das mensalidades. Em 2002, a pesquisadora Cristina Sanae Matsuzake entrevistou 136 estudantes brasileiros de quinta a oitava série em escolas de Gunma, Shizuoka e Fukui. A dificuldade da pesquisadora começou na aplicação dos testes: havia alunos que não conseguiam sequer compreender o conteúdo das perguntas.

4 - Os jovens podem se tornar semianalfabetos no Japão?Os filhos dos dekasseguis têm a oportunidade de serem pessoas mais globalizadas, pois estão em um país de Primeiro Mundo. Tem chance de dominar até três idiomas. “Há exceções, mas a maioria não domina nenhum idioma perfeitamente. Quando os pais percebem essa dificuldade dos filhos, geralmente na adolescência, é tarde”, diz a professora Nilta dos Santos, que ministra aulas de português em escolas japonesas. É difícil os pais notarem esse problema porque passam muito tempo nas fábricas e os filhos ficam o dia todo na escola. A estrutura de conversa aprendida acaba se limitando aos diálogos do cotidiano. Já na adolescência, “os jovens precisam falar o que sentem e é quando surgem os problemas”.
56.980 brasileiros com menos de 20 anos23.610 brasileiros em idade escolar(ensino básico)
Alunos em escolas brasileiras: 8.400Alunos em escolas japonesas: 6.623Não estudam: 8.5575 - Há chances das mensalidades caírem?O preço médio das mensa-lidades cobradas pelas escolas brasileiras gira em torno de 25 mil ienes (meio período) e 35 mil (período integral). Mas há famílias com dois filhos que desembolsam até 100 mil ienes para pagar todas as despesas com a educação dos filhos. As mensalidades só vai cair se as escolas conseguirem duas vantagens:
[-] Ser reconhecidas pelo governo japonês como “miscelânias”, termo técnico que dá uma série de vantagens para as escolas, incluindo redução de impostos. As escolas brasileiras são consideradas empresas privadas e nenhuma conseguiu ter essa classificação do governo.
[-] Conseguir a utilização de prédios públicos desativados. O governo japonês tem fechado escolas por falta de alunos. Caso as escolas brasileiras tenham autorização para ocupar esses espaços, não precisariam arcar com o valor do aluguel.
Como, por enquanto, as duas condições acima não foram preenchidas não há previsão para redução da mensalidade a curto prazo.
6 - Os filhos dos dekasseguis vão continuar trabalhando em fábricas?Os pais que acreditam que educação é uma despesa e não um investimento vão sofrer as conseqüências em breve. É dever dos pais estimular os filhos a prosseguir os estudos, o que inclui um curso universitário. Ter faculdade não é garantia de sucesso profissional. Mas sem um diploma, as chances se reduzem. No Japão, aqueles que abandonam os bancos escolares quando se formam no ensino médio não tem muitas opções além do trabalho na fábrica. Os pais podem e devem incentivar os filhos a sonhar mais alto. “Os filhos dos brasileiros que dominam a língua japonesa podem ser diretores de empresas e não chefe de linha. Nós temos criatividade e podemos ir além”, afirma a professora Nilta.
7 - Há chances reais dos filhos dos dekasseguis irem à universidade?Hoje a resposta seria não. O caminho de uma universidade japonesa é longo e poucos conseguem o feito. Tanto que aqueles que se formam viram notícias no jornal. A maioria dos alunos brasileiros ainda está despreparado. Além disso, o preço da universidade é alto, o processo seletivo é rigoroso e a maioria dos pais não imaginam que os filhos vão “chegar tão longe” no Japão. Mas há uma tendência das novas gerações começarem a freqüentar as universidades. O próprio governo japonês tem interesse que isso ocorra, pois necessita de mão-de-obra qualificada. Os alunos de escolas japonesas que estão adaptados ao sistema de ensino e contam com o apoio dos pais são os que mais têm chances de conseguir. Os pais que decidiram ficar de vez no Japão são os que costumam incentivar os filhos a seguir adiante com os estudos. “Os jovens que falam as duas línguas recebem convites de empresas para trabalhar, mas estou incentivando para que eles freqüentem uma universidade”, diz a diretora Elica Tozawa, do Nippaku Center. Aqueles que sonham em voltar ao Brasil preferem que os filhos continuem os estudos só após o retorno.
8 - Quem retornar vai conseguir se adaptar ao mercado de trabalho brasileiro?Se o jovem dominar somente o idioma japonês, é provável que não queira nem retornar mais à terra natal dos pais. Há um número crescente de crianças seguindo essa tendência. Já os que estudam em escolas brasileiras ainda sonham em fazer a faculdade no Brasil.
Os que abandonaram as escolas e trabalham na fábrica vão enfrentar dificuldades de adaptação na volta ao Brasil. Não vão conseguir um emprego que pague nem a metade do valor que ganhavam na linha de produção. Experiências recentes mostram que a maioria acaba retornando para as fábricas do arquipélago.
(JTB)
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