Irashaimasse... Este espaço é "irmão" da comunidade Movimento Dekassegui no Japão. Chamei-a assim porque há muitos dekasseguis (pessoas que saem de sua terra natal para trabalhar temporariamente em outro lugar) e eu faço parte desta comunidade de filhos e netos de japoneses que migraram para o Brasil. Domo arigato gozaimasu. zanguio.com.br

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Especialização garante alto salário a dekasseguis

Jornal Tudo Bem - Especialização garante alto salário a dekasseguis

Especialização garante alto salário a dekasseguis
Quem tem trabalho especializado ganha mais; mulheres são cada vez mais freqüentes em cursos para operar empilhadeira

“Tenho amigos trabalhando em transportadoras japonesas e, conforme o mês, eles conseguem ganhar de 400 mil a 600 mil ienes. Por isso, resolvi fazer o curso de operação de empilhadeira e também planejo tirar a habilitação para guiar caminhão. Tenho certeza de que isso vai me abrir novas perspectivas de trabalho. Além disso, é importante adquirir novos conhecimentos para não ficar na mesmice e acabar se congelando num mesmo emprego, sem chance de progredir.”
Luciano Shimamoto, 32 anos, de Anjo (Aichi)

Muitos brasileiros reclamam que mal conseguem guardar dinheiro atualmente, no Japão. Mas há quem tenha encontrado um meio de obter remunerações acima da média. Isso é possível em postos de trabalho especializados, que exigem alguma habilidade específica, como o manuseio de equipamentos de solda, empilhadeira, escavadeira e guindaste, além do “tamakake” (amarração de cargas).

O atual mercado de trabalho japonês não é mais visto como o mesmo eldorado de cerca de 15 anos atrás, quando a média salarial era bastante superior à de hoje e muitos trabalhadores conseguiam economizar de 200 mil a 300 mil ienes por mês.

Para exercer uma dessas funções, é preciso ter licenças específicas, que podem ser obtidas em cursos rápidos – que duram de 11 a 31 horas. O que poucos sabem é que esses cursos possuem versões em português, com turmas criadas especialmente para brasileiros. Relativamente baratos, eles podem custar entre 40 mil e 60 mil ienes junto a empresas brasileiras de assessoria profissionalizante, valores que já incluem o encaminhamento de toda a documentação necessária, o acompanhamento nas aulas e o fornecimento de apostilas em português.

“Muitas empresas japonesas estão à procura dessa mão-de-obra especializada e, por isso, a remuneração é superior”, garante Kiyoshi Yoshikawa, diretor da Brastec Associação – que oferece cursos de especialização há seis anos. Segundo ele, o salário inicial de um soldador pode chegar a 2 mil ienes por hora de trabalho. E, conforme a experiência do trabalhador e seu desempenho, a remuneração pode ser mais vantajosa. “Sei de gente que trabalha com solda e ganha 3,3 mil ienes por hora de trabalho”, diz.

Para Take-shi Ara, da empreiteira BarrierFree, de Nagoya (Aichi), a remuneração superior para a mão-de-obra especializada reflete uma tendência das empresas japonesas. “Neste mercado de trabalho tão dinâmico, trabalhadores com aptidões técnicas são mais valorizados”, analisa. Mas ele lembra que não basta ter a licença em alguma habilidade específica. “Também é importante que o funcionário seja responsável e competente, ou seja, a boa remuneração depende de um conjunto de qualidades.”

OUTRAS VANTAGENS
Além da possibilidade de ganhar mais, o trabalho especializado pode representar outras vantagens. “Na maioria dos casos, são empregos que têm uma rotina menos repetitiva e menos estressante do que a linha de fábrica”, destaca Toshio Tanaka, da empresa Real Service. Em seis anos prestando assessoria em cursos, ele já atendeu centenas de brasileiros, e crê que o interesse pela profissionalização está aumentando. “Cada vez mais, as pessoas estão percebendo a importância de aprimorar seus conhecimentos. E isso inclui as mulheres, que são cada vez mais freqüentes nos cursos de operação de empilhadeira, por exemplo.”

Tanaka lembra que, em alguns casos, há quem já atue em vagas especializadas, mesmo sem a devida formação técnica. “Muitos brasileiros já trabalham com solda ou empilhadeira, mas não fizeram o curso e não têm licença profissional, o que é muito arriscado”, adverte. “Em caso de acidente, eles não têm como reivindicar seus direitos, pois legalmente é como se fossem motoristas dirigindo sem habilitação. O curso oferece essa garantia.”

INICIATIVA
“Quando cheguei ao Japão, há 18 anos, dava para guardar um bom dinheiro. Nos últimos 10 anos, a situação foi piorando”, conta Célio Katsumi Nagaoka, 46 anos, de Kariya (Aichi). Um ano atrás, ele tinha um salário médio mensal de 250 mil ienes trabalhando em fábrica, quando decidiu obter as habilitações para guiar caminhão e operar empilhadeira. A iniciativa deu certo: atualmente, Nagaoka trabalha como caminhoneiro em uma transportadora e ganha de 350 mil a 390 mil ienes por mês. “Além do salário melhor, meu dia-a-dia é bem menos cansativo, posso controlar meu próprio horário e consigo estar mais presente com a minha família.”

CONHEÇA OS PRINCIPAIS CURSOS
Veja alguns detalhes dos cursos de especialização que já possuem versões em português. Os preços médios têm como base o valor cobrado por empresas de assessoria, o que já inclui assistência e acompanhamento em português.

Operador de solda
A licença inclui as três especialidades de solda: MIG, TIG e eletrodo
Curso em português: Seto (Aichi) ou Atsugi (Kanagawa)
Duração: 15 horas de aula (um fim de semana)
Preço médio: 60 mil ienes
Salário médio inicial: de 1,4 mil a 2 mil ienes/hora*

Operador de empilhadeira simples
A licença permite o manejo de cargas de até uma tonelada e, para obtê-la, não é preciso ter carteira de motorista japonesa
Curso em português: Seto (Aichi) ou Atsugi (Kanagawa)
Duração: 11 horas de aula (um fim de semana)
Preço médio: 40 mil ienes
Salário médio inicial: de 1,3 mil a 1,7 mil ienes/hora*

Operador de empilhadeira pesada (fork lift)
Para fazer este curso, é preciso ter carteira de motorista japonesa. A licença permite o manejo de cargas sem limite de peso
Curso em português: Okazaki (Aichi) ou Atsugi (Kanagawa)
Duração: 31 horas de aula (dois fins de semana)
Preço médio: 50 mil ienes
Salário médio inicial: de 1,3 mil a 1,8 mil ienes/hora*

Operador de escavadeira
Para obter esta licença, não é preciso ter carteira de motorista japonesa. As aulas em Seto são ministradas apenas no último final de semana de cada mês e, em Atsugi, há aulas todos os dias
Curso em português: Seto (Aichi) ou Atsugi (Kanagawa)
Duração: 12 horas de aula (um fim de semana em Seto ou em dois dias a escolher, em Atsugi)
Preço médio: 50 mil ienes
Salário médio inicial: de 1,3 mil a 1,8 mil ienes/hora*

Operador de guindaste (crane)
Para obter esta licença, não é preciso ter carteira de motorista japonesa
Curso em português: Seto (Aichi) ou Atsugi (Kanagawa)
Duração: 12 horas de aula (um fim de semana)
Preço médio: 50 mil ienes

Amarração de carga (tamakake)
A licença habilita o trabalhador a preparar cargas, de forma segura, que serão manejadas por guindastes e empilhadeiras
Curso em português: Seto (Aichi) ou Atsugi (Kanagawa)
Duração: 12 horas de aula (um final de semana)
Preço médio: 50 mil ienes
Salário médio inicial: de 1,3 mil a 1,8 mil ienes/hora*

* Valores estimados

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