Irashaimasse... Este espaço é "irmão" da comunidade do orkut Movimento Dekassegui no Japão. Chamei-a assim porque há muitos dekasseguis (pessoas que saem de sua terra natal para trabalhar temporariamente em outro lugar) e eu faço parte desta comunidade de filhos e netos de japoneses que migraram para o Brasil. Domo arigato gozaimasu.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Dekassegui mochileiro dá volta ao mundo

Jornal Tudo Bem - Dekassegui mochileiro dá volta ao mundo

Dekassegui mochileiro dá volta ao mundo
Cansado da rotina da fábrica, brasileiro decide mochilar e percorre 25 cidades de 13 países

Fascinado pela Grécia, Gonçalves passou mais de duas semanas no país.
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Em um trem, o brasileiro conheceu Satoru, um japonês deficiente que se tornou seu amigo

Ao completar 10 anos de trabalho no Japão, cansado da rotina na fábrica e determinado a quebrar o gelo de alguma forma, num certo dia de abril deste ano Moacir Araújo Gonçalves, 33 anos, decidiu visitar os familiares no Brasil. Antes, porém, queria conhecer alguns países. Sem um planejamento traçado, colocou uma mochila nas costas e, quando percebeu, já havia percorrido 25 cidades de 13 países, durante quase três meses.

Fascinado por analisar as diferenças culturais entre os povos, o brasileiro, que reside em Chita (Aichi), começou sua aventura por Hong Kong e Macau, e depois pegou um vôo para Paris. Então, saiu pela Europa sem destino certo. “Depois da França, conheci a Holanda, Alemanha, Suíça e Áustria, sempre observando o mapa e decidindo para onde ir”, conta Gonçalves. “Da Áustria, eu pretendia seguir para a República Checa e, depois, Polônia, Suécia, Dinamarca, Letônia e Lituânia. Mas, ainda na Áustria, perdi um trem e decidi ir para onde o trem seguinte rumaria. Resultado: ao invés da República Checa, segui para a Hungria.”

O imprevisto mudou totalmente o itinerário do brasileiro, que depois seguiu para Romênia, Turquia, Grécia, Itália e Espanha, onde finalizou sua excursão pela Europa. “O mais interessante é que eu me propus a fazer algo e fiz. Devo muito disso ao total apoio da minha esposa Karina e das minhas filhas Rafaela e Isabela”, destaca. “Acho que muitos brasileiros se aprisionam ao trabalho no Japão porque pensam apenas no dinheiro. Eu fiz essa viagem para me desprender dessa rotina e provar para mim mesmo que sou capaz de cumprir uma meta, por mais louca que ela possa parecer.”

Uma boa surpresa da viagem foi ter conhecido Satoru, um japonês portador de deficiência física, morador de Kobe (Hyogo), dentro de um trem, no caminho entre Áustria e Hungria. “Quando eu o vi, me interessei em fazer contato, porque já passei mais de três meses numa cadeira de rodas quando sofri um acidente de moto e sei como é difícil. Ele ficou surpreso porque o abordei em japonês, fizemos amizade e eu ofereci ajuda”, lembra. “De certa forma, essa foi uma maneira de retribuir toda a gratidão que tenho pelo Japão. Além disso, ganhei um amigo que prometeu visitar minha casa.”

Cultura
Apaixonado por Arte, o aventureiro viu muitas relíquias históricas, em visitas ao Museu do Louvre (França), ao Museu Picasso (Espanha) e à Capela Sistina (Itália), entre outros pontos. Amante de livros, também refletiu sobre passagens históricas, ao conhecer Istambul (Turquia), Atenas (Grécia) e Roma (Itália). “Não quero ficar me gabando desta viagem. Meu propósito é mostrar que qualquer dekassegui é capaz de fazer o que eu fiz, desde que se liberte de alguns medos e acredite na própria capacidade de realizar algo que deseja”, filosofa.

Gonçalves comenta o aprendizado que teve com a viagem. “Em todos os lugares, há pessoas boas e ruins. Além disso, percebi que o comportamento e as reações de cada um a determinadas atitudes dependem da formação cultural”, reflete. “Por exemplo, os alemães são muito enérgicos e, numa primeira impressão, pensei que eles eram rudes comigo. Mas percebi que esse é o jeito deles. Da mesma forma, talvez um japonês pode achar que o meu jeito de falar é meio agressivo.”

O brasileiro já tem novos desafios em mente: “tenho muita curiosidade de conhecer Austrália, África do Sul, Quênia, China, Israel e Egito”, finaliza.