Irashaimasse... Este espaço é "irmão" da comunidade Movimento Dekassegui no Japão. Chamei-a assim porque há muitos dekasseguis (pessoas que saem de sua terra natal para trabalhar temporariamente em outro lugar) e eu faço parte desta comunidade de filhos e netos de japoneses que migraram para o Brasil. Domo arigato gozaimasu. zanguio.com.br

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Nikkeis estão integrados à sociedade brasileira, diz autor de livro

Matéria da Folha Online

O advogado tributarista Kiyoshi Harada, 66, lança nesta terça-feira o livro "O Nikkei no Brasil", que retrata a trajetória da comunidade japonesa no país --nikkeis são os japoneses que vivem no exterior ou descendentes nascidos fora do Japão. Para Harada, a imigração no Brasil deu mais certo quem outros países porque, aqui, os japoneses, desde os anos 80, estão efetivamente integrados à sociedade.

"Tem alguns japoneses que ainda vivem na década de 50. Nós temos que acabar com essa idéia de colônia, de formar um grupo étnico fechado. O correto é a dispersão, é a integração com a sociedade brasileira. Ela exerce uma força centrípeta sobre todas as etnias, e aquele segmento que tiver mais força transmite sua cultura."

Harada ressalta que o sucesso da integração entre japoneses e brasileiros não está ligado ao tempo de convivência. "No México, eles comemoraram o centenário de imigração em 98, mas não há participação da comunidade nikkei na vida nacional. No Havaí a imigração ocorreu no século 19, mas a integração também não é total. Em 2005, na Convenção de Nikkeis, soube que, lá [nos EUA], houve um único senador nikkei. Não há mais nenhum nome expressivo no parlamento. Não há magistrados, ministros, cientistas."

Em contrapartida, no Brasil, Harada observa que o primeiro vereador nikkei, Yukishigue Tamura, foi eleito em São Paulo ainda em 1947, que o atual comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, é nikkei, assim como o mesa-tenista Hugo Hoyama, brasileiro que conquistou mais medalhas na história dos Jogos Pan-Americanos. E a lista não pára.

"O nikkei sabe que precisa preparar seus descendentes porque, se não houver um deputado, um jurista, um artista, um esportista, um jornalista nikkei, não vamos influenciar nada. Nosso modo de preservação é o aspecto cultural. Meu filho, por exemplo, não fala um 'a' no idioma japonês e só tem amigos não-nikkeis, mas detém a cultura japonesa."

História

Para Harada, a trajetória da comunidade japonesa no Brasil teve quatro etapas. Da primeira fazem parte os imigrantes que chegaram entre o navio Kasato Maru, em 1908, e a 2ª Guerra Mundial. Esse grupo tinha em comum o objetivo da viagem --arrecadar riquezas e retornar ao Japão. Já a segunda começa em 1956, com a retomada da imigração, e dura até 1962. Em comum, eles tinham a busca por uma nova pátria.

Na terceira fase, que vai do ano 1963 a 1980, os imigrantes começam a gozar de conforto no Brasil. Para Harada, a quarta fase começou em 1981 e ainda não terminou --trata-se da total integração com a sociedade brasileira e a transmissão da cultura milenar japonesa.

Preconceito

Harada conta ter sofrido muito preconceito enquanto estudava, na rede pública, em Osvaldo Cruz (662 km a noroeste de São Paulo). "Eu apanhava todos os dias na escola. Mas eu não guardo mágoa. Eu me recordo e rio porque, quando eu podia, eu revidava também."

Hoje, o advogado formado na Faculdade de Direito da USP e professor de graduação e pós-graduação em faculdades de São Paulo, Goiás e Brasília faz questão de ressaltar a gratidão ao Brasil. "Eu estudei na rede pública e na São Francisco. Se tivesse que estudar em uma faculdade particular, com certeza, não seria advogado."

Os pais de Harada chegaram ao Brasil de navio, em 1919. Ele nasceu em Marília (444 km a noroeste de São Paulo), mas só tem cidadania japonesa.
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