Irashaimasse... Este espaço é "irmão" da comunidade do orkut Movimento Dekassegui no Japão. Chamei-a assim porque há muitos dekasseguis (pessoas que saem de sua terra natal para trabalhar temporariamente em outro lugar) e eu faço parte desta comunidade de filhos e netos de japoneses que migraram para o Brasil. Domo arigato gozaimasu.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Biblioteca no Japão (prá brasileiro ler). | Burajiru!

Biblioteca no Japão (prá brasileiro ler). | Burajiru!

Olá!

Sempre quis falar aqui no blog sobre livros, e resolvi que o dia iria ser hoje.
Eu gosto muito de ler, sou do tipo que na falta de um livro lê até mesmo lista telefônica e flyer de pizza. A um tempo atrás, se eu não lesse algum livro minutos antes de me deitar, o sono não vinha (hoje tenho a insônia controlada, graças a Deus).

Aqui no Japão a leitura é um hábito caro, apesar de saudável. Isso para quem lê em português como eu.
Por mais que a faixa de renda de dekassegui seja bem maior que a do brasileiro, não dá prá deixar de ver que um japonês consegue manter seu hábito de leitura pagando bem menos. Os livros no Brasil por si só já são caros, e para chegarem até nós são acrescidas taxas e impostos, mais o lucro (justo) de importadores e lojistas.

O fato é que minha sede de leitura é muito maior do que o montante que reservo para a compra de livros anualmente. E aqui em casa, ainda tem meu marido e minha filha mais velha, também leitores vorazes.

No início desse ano, minha filha chegou um dia muito contente em casa, com o livro “As aventuras de Narizinho“. No Brasil, ela ia à biblioteca da escola uma vez na semana, e aqui no Japão sente muita falta dessa rotina.
Ela terminou o livro (uma amiguinha na escola emprestou à ela), e eu tive que pegar para ler.

Biblioteca no Japão para brasileiro ler?

Qual não foi minha surpresa, ao ver na capa do livro, que este era catalogado?
Pensei até mesmo que o livro fosse da escola do Brasil, e que minha filha tivesse esquecido de devolver.
Um olhar mais atento, e vi os caracteres japoneses ao longo da etiqueta: Biblioteca Central de Toyohashi.

Não cheguei a ler o livro, mas comentei com a professora da turma de minha filha, que disse já ter ouvido falar sobre a parte de livros em português da biblioteca. Na escola não há biblioteca, então pensei em conhecer, em princípio pela minha filha.

ToshokanA Biblioteca de Toyohashi é grande e possui 3 andares.
Como uma boa biblioteca de cidade grande, há livros dos mais variados gêneros, desde infantis a acadêmicos, passando por mangás, artes, “faça você mesmo”, jornais e revistas. A parte de livros sobre informática é enorme, há muitos títulos sobre pc e internet, bem ao estilo “aprenda a mexer no Windows XP“, “Como organizar seus arquivos com Access“, “Orçamento Doméstico com Excel“, entre outros. O acervo de livros sobre Macintosh para iniciantes também é grande.

Mas falemos do que nos interessa, a ala dos livros em português.
Eles ficam no primeiro andar, frente e verso de uma estante recheada de títulos na língua de Camões.
Lá achei muitos títulos infantis, que fizeram a festa de minha filha do meio. Ela ainda não lê, mas se diverte com as figuras e com a leitura da mamãe e do papai. Isso quando ela mesma não inventa as histórias.
Há também muita coisa do gênero auto-ajuda. Achei por lá os indefectíveis Quem Ama, Educa (Içami Tiba), Criando meninas (esse eu peguei prá ler e gostei), Criando Meninos, Pai Rico, Pai Pobre, isso só alguns títulos que eu me lembro (e me chamaram a atenção). Vi muitos livros do Roberto Shinyashiki também.

Para quem gosta de livros espíritas e psicografados, lá também é um prato cheio. Muitos títulos desse gênero, Chico Xavier, Zíbia Gaspareto, entre outros.
Alguns livros que foram best-seller nos últimos anos também são encontrados por lá. Eu acabei de ler o livro da vida de Sílvio Santos, A Fantástica História de Sílvio Santos, do jornalista Arlindo Silva. Livro apaixonante apesar de enorme, você não consegue parar de ler. O ritmo dele é rápido demais, mas sendo a história de quem é, você não consegue desgrudar do livro até que ele termine, pois uma história puxa a outra, os fins de capítulo não se parecem com fins de capítulo. Gostei muito.

Muitos livros da literatura brasileira, clássicos de autores como José de Alencar e Machado de Assis por exemplo, também estão ali para serem emprestados a quem quiser.
Dicionário: infelizmente só vi um exemplar do dicionário Aurélio, e não vi nenhum Houaiss. Se for isso mesmo, é uma pena, deveria haver à disposição pelo menos uns 3 exemplares. Mas pode ser que alguém tenha levado prá casa, quem sabe?

Eu não fui conferir, mas o bibliotecário me informou que existe ainda uma seção de livros mais técnicos e acadêmicos no 2º andar. Da próxima vez irei até lar dar uma espiadinha.

Sábado sim, sábado não, quem for à biblioteca corre o risco de dar de encontro comigo (hehehe!).
Aqui em casa já está decidido: de quinze em quinze dias, o programa é ir até lá, pegar livros para ler e devolver os já lidos. Já fomos 5 vezes.

Mas qual é o esquema?

A Biblioteca nos permite pegar até 5 livros por pessoa, por até 15 dias.
Para isso, é preciso fazer a carteirinha. É de graça.

Aqui em casa, minha filha e meu marido fizeram a carteirinha, pois 5 livros é pouco. Cada um pega 2 livros, assim já somam 8 livros (eu, esposo, e duas filhas pegam livro).

Biblioteca Central de Toyohashi
441-8025 Aichi-Ken Toyohashi-Shi Hanei-Cho 48
telefone: 0532-31-3131 (em japonês)
site: http://www.library.toyohashi.aichi.jp/index.html

Para devolução, você pode devolver na biblioteca central, ou no centro de devoluções:
Centro de devolução de livros de Toyohashi
440-0862 Aichi-Ken Toyohashi-Shi Mukayama Ooike-Cho 20-1
telefone: 0532-62-2944 (em japonês).

Funciona de terça a sexta feira, das 9:30 às 19:00.
Sábados, domingos e feriados das 9:30 às 17:00.
Fecha às segundas-feiras (se segunda for feriado, fechará na terça imediatamente seguinte),
Fecha toda 4ª sexta-feira do mês, e no fim e início de ano